Do not think about Ana.



        Preso em seu próprio mundo e pensamentos lá estava ele, se perdendo em um plano imaginário que mesmo não sendo real era quase que palpável e a cada minuto que passava nele era mais e mais difícil distinguir o que era ou não a realidade. Não importa o dia, a hora ou o lugar, eles realmente não fazem diferença, no mundo dele só existia o agora e um alerta na porta de entrada que continha escrita uma frase em letras vermelhas e garrafais " DO NOT THINK ABOUT ANA ".
         O lembrete estava ali não por acaso, mas por vários motivos que não serão escritos, não serão citados. Não cabe a mim descrevê-los, cabe a você interpreta-los. Ele estava ali, parado. Em frente a porta, a um passo de tudo que a porta continha escondido e preso, seja para que ele não entrasse ou para que o que tinha ali atrás permanecesse lá. Não é permitido a mim falar dos motivos da frase estar ali escrita, mas cabe a mim a tarefa de falar da Ana, afinal quem é ela? Enquanto ele ali estava encarando com os olhos fixos a porta juntamente com o aviso, me permita leva-lo ao passado, leva-lo a realidade e sair um pouco do imaginário. A julgar pelas mãos cerradas dele e o olhar fixo, presumo que quando voltarmos ele ainda estará ali.
          Ana, como pode um nome tão simples pertencer a alguém tão complicada. Acho que explicar quem é ela seria uma tarefa tão difícil quanto tentar contar todas as estrelas do céu. Farei o possível para lhe dar uma imagem, mas lembre-se que sou apenas um observador. Ela consiste em estar, em ser, em viver o agora e não se pense que ela tem pressa, ela vive sem pressa, aproveitando cada momento que ela sabe que é único e o leva consigo na lembrança, é possível ver nos olhos dela um olhar imprevisível de alguém impulsivo e ao mesmo tempo sem medo do perigo, que arrisca e com certeza faria de tudo para estar contigo, ou com qualquer um que ela julgue digno. Errado aquele que diz que ela possui uma boca estranha, quem fala isso são aqueles que se perderam no labirinto dos lábios dela que despertam seus instintos mais primitivos e sacanas. Tamanho não é nada, o dela lhe proporciona um talento que poucos possuem, ela sempre anda de cabeça erguida e não para em qualquer obstaculo, ela sempre o passa e é incrível pois ela sempre impressiona e se você a elogiar ela fica tímida e disfarça. Essa é a Ana, a garota simples e complicada, impossível de ser descrita, podendo apenas ser vista e admirada, essa é a Ana a qual se refere a placa.
         Ele ainda permanece ali, parado. Descrever com clareza o que se passa em sua cabeça é algo impossível pois creio que nem ele mesmo sabe o que está se passando ali, ele está apenas ali, dentro do seu mundo, vivendo uma realidade criada por ele e convivendo com seus pensamentos, e diante da porta, esperando para algo aconteça. Imagino o que seria esse algo, se seria a porta se abrindo, ou trinta segundos de uma coragem insana, daquelas que invadem e fazem com que tudo se torne um pouco mais possível, enquanto espera ele continua ali.
         Chegou a hora, não adianta mais, ele se posiciona, coloca a mão na maçaneta que de tão limpa e polida possibilita que ele se veja em seu próprio reflexo, está na hora de abrir a porta e encarar de frente tudo aquilo que está ali esperando pra sair, ou esperando que ele entre. A placa com letras garrafais na porta já não fazem mais importância, já que não pensar na Ana fazia com que ele não a tirasse da cabeça, é chegada a hora, a hora em que descobrimos o que estava ali. Então ele respira fundo, e gira a maçaneta e empurra a porta. Então é agora, Finalmente, ele pensou.
           Atrás da porta, preso ali atrás daquela porta branca de maçaneta dourada, ele se vê diante de tudo aquilo que ele mais temia. Ele se vê diante dela, não a real, mas sim a imaginária. Uma versão falsa que ele criou apenas para se lembrar, pois é melhor tê-la em fantasia, do que se lembrar que ela não está mais lá. O mundo imaginário dele finalmente se tornou melhor do que o real, então pra que voltar?

     

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